2 a 4 de outubro de 2018

PRO MAGNO - São Paulo, SP

Modais e grandes usuários de transportes discutem sistema logístico do país

Reunindo representantes de diferentes modais e grandes usuários de transportes, a Roda Viva – Infraestrutura Logística Brasileira, realizada no último dia 3 de outubro, estreou um novo formato para a realização de debates na ABM WEEK. O evento promovido pela ABM foi inspirado nos programas de entrevistas e debates na TV. Só que em vez de ter apenas um entrevistado, a mesa recebeu cinco profissionais da academia, do governo federal, de empresas transportadoras e de entidades, que responderam perguntas de outras quatro personalidades atuantes na área.

Segundo Leonardo Zenóbio, diretor executivo de logística da Usiminas e coordenador da Roda, uma das conclusões do encontro foi a de que há muitos pontos de convergência a serem explorados entre os modais rodoviário, ferroviário e marítimo. Outro consenso é o de que há enormes desafios pela frente. Vale lembrar que o custo logístico consome cerca de 15% da renda líquida da cadeia produtiva do aço no Brasil, enquanto que em outros países, a média é de 9%. Os dados são da Associação Nacional dos Usuários de do Transporte de Carga – Anut.

Um dos problemas debatidos pelos participantes da roda foi a distribuição da matriz de transportes brasileira tão pouco diversificada e altamente dependente do transporte rodoviário. Para se ter uma ideia, o segundo dados da Fundação Dom Cabral, a malha rodoviária é utilizada para o escoamento de 75% da produção no país, seguida da marítima (9,2%), aérea (5,8%), ferroviária (5,4%), cabotagem (3%) e hidroviária (0,7%).

A maior exploração da cabotagem pode ser uma alternativa melhor aproveitada para o transporte de longas distância. Cristiane de Marsillac, CEO da Mercosul Line, citou uma pesquisa realizada junto a seus potenciais clientes que detectou o interesse das empresas em ampliar o uso da cabotagem nos próximos três anos. Segundo ela, esse modal tem vantagens importantes, como não necessitar de construção de infraestrutura para operar e demandar menos combustível por tonelada transportada. No entanto, para ser competitiva, a cabotagem precisa garantir a entrega de ponta a ponta, o que significa integração com o modal rodoviário.

“A multimodalidade, assim como a conteinerização são pontos decisivos para minimizar os grandes gargalos de infraestrutura”, acrescentou o professor Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral. Para ele, o Brasil não pode deixar de investir em planejamento de longo prazo, mas diante da urgência por transformações, é preciso adotar uma inovação incremental.

“A matriz de transporte não pode ser rompida. Mas temos que mudá-la de forma gradativa e firme, seja com concessões de mais longo prazo para ferrovias, seja com a integração com a cabotagem”, disse Resende. O professor lamentou o fato de o Brasil estar entre as vinte maiores economias no mundo e, no entanto, ocupar apenas a 72a posição em um ranking de infraestrutura logística.

“A integração da malha ferroviária brasileira é outro ponto importante para melhorar a logística de transportes brasileira”, opinou Luiz Henrique Baldez, presidente da Anut. “Ampliar as ferrovias é um enorme desafio”, concordou Adalberto Santos, secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República. Ele explicou que o PPI foi criado para modernizar as relações e dar a segurança jurídica necessária para ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada. Mas ele admitiu que é preciso fazer mais para eliminar todos os gargalos existentes com a celeridade necessária.

Guilherme Mello, presidente da MRS Logística, operadora que administra uma malha ferroviária nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, compartilhou com os participantes da roda algumas estratégias adotadas por sua empresa visando tornar o modal ferroviário mais competitivo. “Criamos grades fixas para garantir regularidade, embora essa nem sempre seja uma operação superavitária”, comentou o executivo, que também defendeu a complementariedade dos modais.

 

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