2 a 4 de outubro de 2018

PRO MAGNO - São Paulo, SP

Indústrias do setor minerometalúrgico investem em energia limpa e na economia circular

A questão do desenvolvimento sustentável tem sido um dos temas mais discutidos na ABM WEEK 2018. Na quarta-feira (3), um dos destaques da programação foi o painel “Ecoeficiência energética em processos de conformação”. O encontro reuniu representantes da indústria, da academia e de entidades para discutir como racionalizar o consumo de energia e garantir o maior aproveitamento de fontes renováveis na produção de metais.

“A energia está diretamente relacionada à competitividade das empresas, ao suporte ao desenvolvimento econômico do país e à sustentabilidade”, comentou Eduardo Côrtes de Castro, gerente de cilindros de laminação da CSN e um dos coordenadores do painel. Segundo ele, entre os objetivos a serem buscados por toda a sociedade está a necessidade de reduzir as emissões de gases do efeito estufa e atender ao compromisso internacional firmado pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em 2015, a Cop 21.

Em especial no estado de São Paulo, algumas oportunidades podem maximizar a geração de energia limpa e ajudar o país a cumprir suas metas ambientais. “As perspectivas para os próximos anos é que possamos produzir mais gás natural, o combustível mais limpo entre os de origem fóssil, com a exploração da camada de pré-sal. Também devemos chegar em 2030 com uma produção de etanol na casa dos 40 bilhões de litros, muitos deles produzidos não só a partir do bagaço da cana, como também do milho”, comentou Antônio Celso de Abreu Júnior, subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria na Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo.

Abreu Júnior listou alguns entraves a serem eliminados, contudo, para que o custo da energia limpa não seja motivo de perda de competitividade na indústria. “É preciso implantar um novo marco regulatório do setor elétrico, revisar a política de incentivos de fontes renováveis e minimizar as intervenções operativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)”, ponderou.

As indústrias siderúrgicas têm tentado minimizar sua pegada de carbono que decorre, principalmente, do uso do carvão mineral. Na Carmelopolitano Tubarão, por exemplo, 99% da energia primária é reaproveitada. “Além disso, buscamos utilizar o carvão da forma mais eficiente possível, seja reaproveitando gases do processo, seja com cogeração”, disse Guilherme Correa Abreu, gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal. Ele lembrou que a planta no Espírito Santo, assim como as demais unidades do grupo, deve implantar, ainda em 2019, a certificação ISO 5001, que trata de sistemas de gestão de energia.

“Assim como processos mais avançados, a redução do consumo de combustíveis fósseis depende também do desenvolvimento de novos materiais”, destacou o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Luiz Vasconcellos da Costa e Silva. O professor citou como exemplos novas ligas que permitirão à indústria aeronáutica e automobilística serem mais eficientes. “Até mesmo para a produção de energia solar e nuclear, novos materiais como ligas de zircônio, serão exigidos”, pontuou Costa e Silva.

“O design dos produtos de modo a ampliar as chances de reaproveitamento após o fim da vida útil é imprescindível nesse novo contexto que se impõe”, salientou Walmir Beneditti, conselheiro da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe. Em sua fala durante o painel da ABM, ele enfatizou a necessidade da economia circular para dar racionalidade à gestão de resíduos. “O sucesso desses projetos, porém, está vinculado a uma tributação mais justa da matéria prima secundária e de uma mudança de mentalidade do consumidor final, que muitas vezes ainda vê o material reciclado com preconceito”, concluiu o executivo a Abrelpe.

 

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