2 a 4 de outubro de 2018

PRO MAGNO - São Paulo, SP

Comunicação com sociedade é desafio a ser superado por siderúrgicas e mineradoras, apontam entidades dos setores

Boas práticas e tecnologia de ponta para reduzir os impactos ambientais são amplamente conhecidas e adotadas pelas grandes empresas do setor minerometalúrgico e de materiais. No entanto, ainda é preciso comunicar essas ações com mais assertividade para a sociedade. Essa foi uma das conclusões extraídas do painel “Mineração e siderurgia: desafios do desenvolvimento sustentável”, realizado nessa terça-feira, 2 de outubro. “Diferente do que acontece em outros países, no Brasil ninguém quer ser vizinho de uma siderúrgica ou de uma mineradora”, comentou o mediador do painel, Rof Georg Fuchs, diretor da Integratio Mediação Social e Sustentabilidade.

Ele se referiu, principalmente ao desprestigio da indústria decorrente da falta de conhecimento sobre suas atividades por parte da população.”Nos últimos anos, a questão da imagem e a necessidade de haver ainda mais transparência no relacionamento com as comunidades envolvidas tornaram-se ainda mais desafiadoras para as empresas”, concordou Rinaldo Cesar Mancin, diretor de assuntos ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Ele lamentou o fato a mineração ainda ser vista como garimpo, quando na verdade, trata-se de uma operação extremamente complexa e tecnológica, com altos riscos para seus empreendedores.

“Só que esse setor da economia é vital para atender a demanda por energia limpa da sociedade. Minérios, muitas vezes raros e de difícil extração, são fundamentais para viabilizar a produção de carros elétricos, painéis fotovoltaicos, etc.”, exemplificou Mancin. “Aumentar a eficiência dos processos e reduzir impactos ambientais não é uma opção. Trata-se de uma imposição às empresas que querem se manter perenes no mercado”, afirmou Cristina Yuan, diretora de assuntos institucionais do Instituto Aço Brasil.  Em sua fala durante o painel, ela lembrou que 55% da energia consumida pelas usinas de aço no país é proveniente de projetos de cogeração, especialmente de reaproveitamento de gases do processo, e de auto geração. “Há uma questão de competitividade que nos obriga a repensar os nossos processos”, explicou a executiva do Instituto Aço Brasil.

A legislação ambiental disponível para orientar essas práticas é bastante avançada, segundo Adriano Santhiago de Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento, Apoio e Fomento de Ações em Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente. Ele destacou, no entanto, a importância de se buscar o melhor equilíbrio entre a demanda da sociedade e o que é factível sem colocar em risco a sustentabilidade econômica da indústria. Oliveira apresentou, durante o painel o Projeto Siderurgia Sustentável, implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sob coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A iniciativa visa estimular o uso de carvão vegetal em substituição ao equivalente mineral, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa. Segundo o diretor do MMA, “para o Brasil cumprir suas metas de redução de emissões, é papel do governo chamar o setor privado a colaborar com incentivos positivos”.

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